Citação do Dia

sábado, fevereiro 16, 2008

O SONHO AMERICANO DE BARACK HUSSEIN OBAMA. NOSSO HERÓI

Ana Sá Lopes_ Jornalista do DN gente_ 16 de Fevereiro de 2008

O que tem Barack Obama? Ao ver o senador do Ilinóis arreba­tar primárias e caucuses, agora já como corredor da frente -"front runner", como se diz lá - caem por terra as previsões quase unânimes dos comentadores políticos (apoiados naturalmente em sondagens) sobre o favoritismo de Hillary Clinton. O que aconteceu, assim, de repente? Yes, we can, repele o homem e repetem as lou­cas assistências, numa palavram que, não dizendo nada, traduz uma espécie de sonho. Sim, podemos - Podemos tudo.
O que tem Obama de fascinante é a sua marca absortamente "sixtie". 0 "sim, podemos" vindo de um negro na América é quase tão po­deroso como o velhinho "façamos amor c não a guerra", hino da revo­lução sexual dos anos 60. O realismo dos anos 80 passou a ser a marca social dominante quando a geração de 60 entrou na "vidinha" e esse realismo agravou-se, por assim dizer, com a queda do muro de Berlim. O explodir dos regimes de Leste rebentou com um dos sonhos do sé­culo XX, (o do comunismo, a dita "pátria sem amos") e foi por ai fora -até à derrocada da esquerda, a situação presente.
Yes, we can. Podemos tudo. Podemos, inclusive, eleger um negro presidente dos Estados Unidos. Podemos recebentar com o "bushismo". É óbvio que Obama é populista mas, agora, assim de repente, não me lembro de nenhum líder partidário americano que não o tenha sido.
A força da mensagem de Barack Obama vai além das propostas concretas que é acusado (aliás, injustamente) de não ter. O fenómeno Obama é, em si, a encarnação do sonho americano. E essa absoluta correspondência entre a mensagem e o sujeito é que faz com que o poder de Obama cresça até ao impensável.
Como muitos portugueses, acompanho pela madrugada as primá­rias do Novo Mundo depois de George Bush. Timothy Garton Ash, his­toriador britânico, escrevia na semana passada que os meios de comu­nicação britânicos falam da "baia de Cheasepeake" (que fica entre o Estado da Virgínia e o de Washington D. C.) com a vulgaridade que fa­lam da realidade londrina. Por cá, nós também nos estamos a familiari­zar com o "Potomac" e a cada "yes. we can" muitos de nós ficamos mais Obama.
O sonho americano é o daquele que pode tudo, mesmo vindo de bai­xo, mesmo despojado da aristocracia e do dinheiro que na Europa sempre foi necessária à sobrevivência. O tio da América de muitos eu­ropeus é o sonho americano, como e o homem dos subúrbios que chega a presidente.
Se Obama entrar na Casa Branca, a América devolveu ao mundo uma coisa desprezada desde os anos 80. No fundo, aquele enternecedor 'yes, we can". Podemos tudo, podemos tudo o que sonharmos. Acontece na América.

1 comentário:

Anónimo disse...

Gostasse ou não do estilo de Barack Obama, uma coisa é certa, barack (o abençoado), tem o condão de nos espevitar, para perseguirmos os nossos sonhos… e tem o carisma de grandes líderes americanos e mundiais, como John F Kennedy e Martin Luther King